A história do McDonald’s que funcionou por pouco tempo em Olinda, ainda hoje lembrada como uma das curiosidades mais conhecidas da cidade, virou tema do curta-metragem “Os Arcos Dourados de Olinda”, dirigido por Douglas Henrique. A produção pernambucana revisita o episódio da unidade que abriu em 2001 e fechou em 2003, justamente no período em que Olinda era administrada por Luciana Santos, do PCdoB, eleita prefeita em 2000.
Com 24 minutos de duração, o filme foi construído a partir de imagens restauradas, fotografias, jornais e arquivos públicos e privados do Recife e de Olinda. Segundo a reportagem, mais de 400 fitas de vídeo que nunca haviam sido digitalizadas foram catalogadas para compor a narrativa, que vai além da simples lembrança da passagem da rede pela cidade e tenta reconstruir o ambiente político, urbano e simbólico daquele momento.
O caso ganha ainda mais repercussão por remeter a um período marcante da política olindense: a gestão do PCdoB à frente da prefeitura. Foi nesse contexto administrativo que a unidade chegou à cidade e, pouco tempo depois, encerrou suas atividades, alimentando uma história que atravessou os anos e permaneceu viva no imaginário popular como um símbolo das particularidades de Olinda e de sua relação com grandes marcas e modelos de consumo.
O curta vem acumulando reconhecimento no circuito audiovisual. A obra foi destacada no Festival Curta Cinema, no Rio de Janeiro, e agora chega ao circuito europeu, ampliando a projeção de uma narrativa profundamente ligada à memória local. O sucesso da produção recoloca em debate um episódio ocorrido na gestão do PCdoB, transformando uma antiga lenda urbana em peça cultural e também em registro de um tempo político específico da cidade.
Mais do que revisitar o fechamento de uma loja, “Os Arcos Dourados de Olinda” recupera um capítulo que mistura cultura, política e identidade urbana. Ao trazer de volta esse episódio ocorrido sob a administração comunista em Olinda, o filme reacende discussões sobre aquele período da cidade e mostra como fatos aparentemente pequenos podem se tornar parte duradoura da memória coletiva.
Alexandre Santos
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