A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) lança, no dia 4 de novembro de 2026, o Atlas das Praias Atingidas pelo Desastre Tecnoindustrial do Derramamento de Petróleo. Fruto de uma pesquisa realizada pela Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes), a publicação reúne mapas, imagens de satélite, dados de campo e análises socioeconômicas sobre o derramamento de petróleo que atingiu praias dos nove estados do Nordeste entre agosto de 2019 e o início de 2020.
O Atlas é um dos principais produtos da pesquisa “Impactos Socioeconômicos e Ambientais da Contaminação por Petróleo nas Praias do Litoral da Região Nordeste”, coordenada pelos pesquisadores Luis Henrique Romani e Neison Freire e conduzida pela Fundaj em caráter emergencial durante o desastre e posteriormente sistematizada.
A publicação procura dimensionar territorialmente os efeitos do desastre e oferecer uma base para novas pesquisas, planejamento costeiro e formulação de políticas públicas de prevenção e preparação para situações semelhantes.
“A pesquisa resultou, dentre outros produtos, neste Atlas, constituindo-se numa pesquisa bastante complexa. Nós iniciamos os trabalhos logo após a divulgação dos impactos que estavam sendo percebidos pela população em várias praias do Nordeste. Foi um trabalho muito rápido que a Fundaj fez ao pesquisar sobre o desastre. Mas isso vinha de uma experiência que nós já tínhamos com o desastre tecnoindustrial de Brumadinho, o colapso da mina do Córrego do Feijão, em Minas Gerais, que resultou em trabalhos de mapeamento por meio de satélites. A partir dessa experiência, nós já tínhamos uma base teórico-metodológica para buscar entender a complexidade de um desastre”, explica o pesquisador da Fundaj, atualmente cedido ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Alagoas, Neison Freire.
Mapeamento
Para construir a base territorial do Atlas, os pesquisadores partiram de levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicado em outubro de 2019. O documento registrava, com georreferenciamento por GPS, 201 praias diretamente atingidas pelas manchas de petróleo nos nove estados nordestinos. A equipe desenvolveu uma metodologia própria para representar os impactos e relacioná-los às características ambientais e ao uso e ocupação do solo. O trabalho resultou em 402 mapas, sendo 201 com imagens de satélite e 201 seus respectivos mapas temáticos.
A pesquisa identificou 838 km² de área diretamente impactada nas 201 praias consideradas no levantamento até 28 de outubro de 2019. Rio Grande do Norte e Bahia apresentaram as maiores extensões de áreas impactadas, com 195 km² e 164 km², respectivamente. O mapeamento também identificou áreas ambientalmente sensíveis, como vegetação nativa, manguezais, corais, corpos hídricos superficiais, áreas de aquicultura e afloramentos rochosos. Cerca de 190 km² correspondiam a áreas de vegetação nativa e manguezais, enquanto 15 km² correspondiam a áreas de corais.
“Não sabemos exatamente quando ocorreu e como ocorreu [o derramamento]. Há indícios de que tenha sido um vazamento de um navio-tanque ou um transbordo entre um navio-tanque e outro em alto-mar. Então, há, de fato, uma incerteza, porque nós não temos convicção de que todo o petróleo que chegou às praias foi o total do que vazou. Pode ser que, em alguma maré alta ou marés de sizígia, que são aquelas marés lunares, parte desse petróleo se prenda no fundo do oceano e ainda apareça, não com aquela intensidade, mas pode ocorrer”, afirma Neison.
O pesquisador também destaca a opção da equipe por tratar o episódio como um desastre tecnoindustrial, e não simplesmente como um desastre ambiental. A classificação procura desnaturalizar o desastre e evidenciar que o meio ambiente foi, de fato, uma das dimensões atingidas por um evento associado à ação e às estruturas humanas.
Impactos ambientais e sociais
Os dados reunidos mostram que a contaminação atingiu ecossistemas e atividades econômicas diretamente dependentes do litoral. Manguezais, recifes de corais e vegetação costeira estão entre os ambientes analisados, enquanto a pesca artesanal, a mariscagem, a aquicultura e o turismo aparecem entre as atividades afetadas.
A costa oriental do Nordeste, especialmente Alagoas, Pernambuco e Paraíba, apresenta características que ampliam sua vulnerabilidade pela presença de formações recifais, manguezais e intensa atividade turística e pesqueira. Em Pernambuco, há uma maior densidade de ocupação urbana da faixa costeira, associada a atividades industriais e portuárias, que potencializaram a exposição dos grupos sociais de maior vulnerabilidade social aos riscos. Em Alagoas, os impactos alcançaram áreas de recifes de corais e manguezais, além de municípios que combinam turismo e aquicultura. Na Paraíba, também foram atingidas formações recifais e manguezais.
Isabel Raposo, pesquisadora titular da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundaj, ressalta que o Atlas é resultado direto do esforço iniciado durante o desastre e reúne informações que permitem observar seus efeitos de maneira integrada. “É uma publicação de grande relevância para toda a sociedade, pois, além de apresentar a extensão do vazamento do petróleo nas praias atingidas por meio do uso de imagens de satélite, sensoriamento remoto e técnicas de geoprocessamento, também mensura os impactos ambientais e socioeconômicos do principal desastre técnico-industrial que atingiu a costa nordestina, oferecendo ao público informações únicas e inéditas sobre os efeitos nos agentes diretamente atingidos”, afirma.
Dados para prevenção
A proposta é que essas informações possam contribuir para o planejamento costeiro e para estratégias de redução de riscos. “Ao fazer o uso combinado de geotecnologias, dados de campo e análises socioeconômicas, o Atlas permitiu a quantificação e a espacialização desses impactos, que são fundamentais para a formulação de políticas públicas de prevenção e de preparação para desastres desse tipo. Também permitiu a identificação de áreas críticas e das populações vulneráveis, além do fortalecimento das estratégias de gestão para a redução de risco aos desastres e o planejamento costeiro. O livro representa, para a academia, um referencial metodológico que pode ser replicado para outros contextos de desastres. Então é uma contribuição decisiva para a consolidação da cartografia social e ambiental como instrumento de justiça territorial”, afirma Neison.
Isabel Raposo explica que o lançamento, em novembro, terá três mesas: a primeira vai detalhar a pesquisa que resultou na publicação do Atlas; e a segunda será sobre as ações públicas executadas para a mitigação e prevenção dos impactos do desastre; e a terceira abordará o papel do Ibama e da Defesa Civil de Pernambuco na resposta ao desastre.
“Além dos pesquisadores que conduziram a pesquisa na Fundaj, contaremos com a presença do professor Fabrizio de Luiz Rosito Listo, Professor do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da equipe da Defesa Civil de Pernambuco, Major BM Agilana Inojosa Barbosa e Major BM Roberto Ryanne Ferraz de Menezes”, completa.
O Atlas das Praias Atingidas pelo Desastre Tecnoindustrial do Derramamento de Petróleo será lançado em 4 de novembro de 2026, na Sala Calouste Gulbenkian, no Campus Gilberto Freyre da Fundaj, em Casa Forte, das 10h às 18h. A publicação está em fase de produção, por meio de empresa contratada pela Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe). A inscrição, que é gratuita, é feita pelo link https://www.even3.com.br/atlas-das-praias-atingidas-pelo-desastre-tecnoindustrial-do-derramamento-de-petroleo-785324/.
PROGRAMAÇÃO Dia 4 de Novembro | 10 às 18h Sala Calouste Gulbenkian do Campus Gilberto Freyre da Fundaj Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife - PE Inscrição gratuita - https://www.even3.com.br/atlas-das-praias-atingidas-pelo-desastre-tecnoindustrial-do-derramamento-de-petroleo-785324/
9h30 - Credenciamento
10h - Abertura
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Presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar
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Coordenadora do Centro de Estudos em Dinâmicas Sociais e Territoriais (Cedist), Solange Coutinho.
10h30 - Mesa 1: Aspectos geoespaciais e cartográficos relacionados ao desastre tecnoindustrial do derramamento de petróleo nas praias do Nordeste
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Fabrizio de Luiz Rosito Listo - Professor do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
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Neison Cabral Ferreira Freire - Pesquisador da Fundaj em exercício no IBGE Alagoas e Professor da Universidade Estadual de Alagoas
12h: Intervalo
13h30 - Mesa 2: Impactos socioeconômicos e ecológicos causados pelo desastre
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Luís Henrique Romani - Pesquisador da Fundaj em exercício no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
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Izabel Cristina Chagas - Representante da APA da Costa dos Corais
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Amara Muniz Cardoso - Representante da Resex Acaú-Goiana
15h - Debate com o pesquisador Tarcisio Quinamo (Fundaj)
15h30 - Mesa 3: O papel do Ibama e da Defesa Civil de Pernambuco na resposta ao desastre
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Mariana Momesso - Divisão de Proteção Ambiental do Ibama-PE
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Major BM Roberto Ryanne Ferraz de Menezes - Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (SEPDEC)PDEC)
16h30 - Debate com a pesquisadora Beatriz Mesquita (Fundaj)
17h - Encerramento
Alexandre Santos
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