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MPPE PEDE PRISÃO PREVENTIVA DE MOTORISTA ACUSADO DE ATROPELAMENTO QUE MATOU CRIANÇA EM ESCADA

Alexandre Santos Alexandre Santos Seguir Publicado em 22/04/2026 · 2 mins de leitura
MPPE PEDE PRISÃO PREVENTIVA DE MOTORISTA ACUSADO DE ATROPELAMENTO QUE MATOU CRIANÇA EM ESCADA
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A revolta popular diante do caso que chocou Pernambuco ganhou um novo capítulo. Após a Justiça conceder liberdade provisória ao motorista que atropelou e matou uma criança de 8 anos no município de Escada, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) entrou com pedido de prisão preventiva do acusado, apontando a gravidade extrema do crime e a necessidade de resposta mais firme do sistema de justiça.

O condutor, Josenildo Oliveira da Silva, de 48 anos, havia sido preso em flagrante após o atropelamento ocorrido no último dia 20 de abril, na comunidade do Córrego do Ferreira. Segundo as investigações, ele dirigia sob efeito de álcool quando invadiu a calçada de uma residência e atingiu várias pessoas, incluindo quatro menores de idade. O menino de 8 anos não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Mesmo diante do cenário, o motorista foi colocado em liberdade após audiência de custódia, com imposição de medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, suspensão da CNH e proibição de contato com as vítimas. A decisão gerou forte indignação popular e protestos na BR-101.

Agora, o Ministério Público sustenta que houve um fato novo de extrema gravidade: a confirmação da morte da criança. Para o órgão, isso muda completamente o enquadramento jurídico do caso, que deixa de ser tratado como crime de trânsito culposo e passa a ser considerado, em tese, homicídio doloso com dolo eventual, quando o agente assume o risco de matar.

De acordo com o MPPE, o próprio investigado confessou ter ingerido bebida alcoólica por horas antes de dirigir. Testemunhas relataram que ele foi alertado sobre seu estado de embriaguez e, ainda assim, decidiu assumir a direção. “Não haveria problemas”, teria afirmado, segundo depoimentos colhidos.

O documento também aponta que o motorista apresentava sinais visíveis de embriaguez, confirmados por registros médicos, e que o veículo invadiu o passeio público em alta velocidade, atingindo vítimas em local de proteção para pedestres. Para o Ministério Público, a conduta revela desprezo pela vida humana e alto grau de periculosidade.

Outro ponto destacado é o histórico do investigado, que já possui registros de infrações de trânsito consideradas gravíssimas, reforçando o comportamento reiterado de desrespeito às normas.

O MPPE ainda argumenta que as medidas cautelares impostas anteriormente são insuficientes diante da gravidade do caso, defendendo que apenas a prisão preventiva é capaz de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e evitar novos riscos.

“A permanência do autuado em liberdade, após causar o óbito de uma criança em estado de embriaguez, gera descrédito do sistema de justiça”, aponta o promotor no pedido.

Com isso, o caso deve retornar à análise do Judiciário, agora sob a ótica de um crime doloso contra a vida, o que pode levar o processo ao Tribunal do Júri.

Enquanto isso, a população segue acompanhando com indignação os desdobramentos de um caso que expõe, mais uma vez, o debate sobre impunidade no trânsito e a resposta das instituições diante de tragédias evitáveis.