olinda, cidades,

RAQUEL PODE RECORRER A LUPÉRCIO PARA A SEGUNDA VAGA AO SENADO EM PERNAMBUCO

Alexandre Santos Alexandre Santos Seguir Publicado em 27/03/2026 · 2 mins de leitura
RAQUEL PODE RECORRER A LUPÉRCIO PARA A SEGUNDA VAGA AO SENADO EM PERNAMBUCO
Compartilhe por

Com a eleição de dois senadores por Pernambuco em 2026, a montagem das chapas majoritárias segue acelerando os bastidores da política estadual. No entorno da governadora Raquel Lyra (PSD), um nome já aparece com força para o Senado: Miguel Coelho (União Brasil), que declarou apoio ao palanque governista e passou a ser tratado como um dos principais cotados para a disputa.

A dificuldade, porém, está na definição da segunda vaga. Nomes que em outros momentos circularam nos bastidores, como Priscila Krause, Mendonça Filho, Túlio Gadêlha e Fernando Dueire, hoje perderam espaço ou já não aparecem como opções consolidadas dentro da engenharia política do grupo. Ao mesmo tempo, o avanço da articulação adversária tem aumentado a pressão sobre o Palácio para apresentar uma chapa competitiva e com densidade eleitoral. Em meio a esse cenário, cresce a avaliação de que, sem muitas opções viáveis à mesa, Raquel pode acabar entregando a missão de disputar o Senado ao ex-prefeito de Olinda, Professor Lupércio. Essa leitura é uma inferência política a partir do cenário recente de alianças e movimentações públicas.

Lupércio entra nessa conversa por reunir alguns ativos que pesam numa eleição majoritária: é conhecido na Região Metropolitana, governou uma das cidades mais simbólicas de Pernambuco por dois mandatos consecutivos e mantém capital político em Olinda, onde construiu sua trajetória eleitoral. Antes de chegar à Prefeitura, foi vereador e também deputado estadual. Em 2016, venceu a eleição para prefeito de Olinda; em 2020, foi reeleito no primeiro turno, consolidando sua liderança local.

A trajetória de Lupércio até aqui ajuda a explicar por que seu nome não pode ser subestimado. Ele já vinha sendo citado como possível candidato à Câmara Federal, mas mudou a rota e anunciou, em novembro de 2025, que disputaria uma vaga de deputado estadual em 2026. Ou seja: saiu de uma projeção nacional, recuou para uma disputa proporcional estadual e agora volta a ser lembrado para um voo mais alto, desta vez na corrida ao Senado.

Nos bastidores, a eventual escolha por Lupércio teria um peso estratégico: além de preencher uma lacuna na chapa, Raquel apostaria num nome com recall eleitoral, experiência administrativa e ligação direta com Olinda, cidade-chave na lógica política da Região Metropolitana do Recife. Para uma eleição em que o grupo governista precisa equilibrar alianças partidárias, força no interior e presença urbana, Lupércio aparece como peça capaz de conversar com diferentes eleitorados.

Do outro lado, o tabuleiro também está avançado. A chapa de João Campos (PSB) caminha para ficar praticamente fechada, com Carlos Costa na vice e a composição para o Senado sendo desenhada com Marília Arraes e Humberto Costa, movimento que fortalece o campo oposicionista e aumenta a cobrança para que Raquel apresente definição rápida.

Com isso, o debate sobre o Senado em Pernambuco deixa de ser apenas uma disputa por nomes e passa a ser também uma corrida por tempo, narrativa e musculatura política. E, diante do afunilamento das opções, Professor Lupércio pode deixar de ser apenas um candidato a deputado estadual para virar uma saída real ao Senado na chapa de Raquel Lyra. Em política, principalmente quando o jogo aperta, quem parecia plano B pode terminar escalado para a missão principal.