Referência absoluta no Carnaval pernambucano, o Som da Terra celebra 43 anos de presença ininterrupta nas Virgens do Bairro Novo, uma relação construída no chão da rua, muito antes mesmo de sua participação no Galo da Madrugada. São mais de quatro décadas embalando foliões, atravessando gerações e ajudando a escrever a história de uma das prévias carnavalescas mais tradicionais de Olinda.
Já no primeiro ano de formação, o Som da Terra foi consagrado como “Melhor Banda do Ano”, título concedido pela Rede Bandeirantes. Ao longo de quase cinco décadas de trajetória, a banda consolidou um legado sólido na música popular brasileira, com mais de 30 trabalhos gravados, entre LPs, CDs e DVDs, sempre com forte identidade pernambucana.
O grande marco da carreira veio com o álbum “No Meio do Mundo” (1985), que apresentou ao Brasil o clássico “Balança o Saco”, sucesso absoluto no Carnaval de 1986. O disco vendeu 140 mil cópias em apenas dois meses, rendeu Disco de Ouro e levou a banda diretamente ao Programa do Chacrinha, um dos maiores palcos da cultura popular brasileira.
“Balança o Saco” ultrapassou o Carnaval e ganhou status de hino popular. Além de marcar gerações de foliões, a música se transformou em grito de guerra da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei, reafirmando a força do Som da Terra como fenômeno cultural que atravessa fronteiras e épocas.
Com meio século de história, o Som da Terra segue encantando o público com sua energia contagiante e seu compromisso permanente em valorizar as raízes culturais de Pernambuco. No repertório, não faltarão clássicos que marcaram gerações, como “Balança o Saco”, além do sucesso do seu mais novo hit, “Tá Calor, Tá Pegando Fogo”, que já caiu no gosto do público e promete incendiar ainda mais o Carnaval.
A história do Som da Terra também se confunde com a de personagens marcantes das Virgens do Bairro Novo, como Rominho Pimentel, cantor da banda, que desfilou por 22 anos no bloco e construiu uma trajetória vitoriosa e emblemática. Ao longo desse período, Rominho conquistou 21 troféus, incluindo um feito histórico: foi nove vezes consecutivas campeão como a Virgem Mais Luxuosa, tornando-se uma das figuras mais premiadas e reconhecidas da história da prévia.
É dentro dessa trajetória vitoriosa que se consolida a relação histórica com as Virgens do Bairro Novo, uma das mais antigas e simbólicas prévias carnavalescas de Olinda.
As Virgens do Bairro Novo surgiram em 1953, quando um grupo de rapazes da sociedade olindense decidiu transformar o Carnaval em irreverência, promovendo um jogo de futebol à fantasia. As fantasias, feitas artesanalmente de papel crepom, refletiam a criatividade e o espírito brincante que dariam identidade ao evento.
O primeiro “desfile” aconteceu na Praia do Farol, mas, com o crescimento da brincadeira, foi transferido para a Praia de Bairro Novo, onde a festa se consolidou e ganhou força popular. Já no segundo ano, o evento passou a contar com o envolvimento de mães, irmãs e namoradas, que ajudavam na confecção das fantasias, emprestando roupas, acessórios e afeto, transformando a prévia em um verdadeiro encontro comunitário.
Ao longo das décadas, as Virgens cresceram, tomaram as ruas e se tornaram símbolo de irreverência, liberdade criativa e resistência cultural, mantendo viva a essência do Carnaval espontâneo e popular de Olinda.
A união entre o Som da Terra e as Virgens do Bairro Novo representa muito mais que uma parceria artística: é um encontro entre música, história, personagens e identidade cultural.
São 43 anos de Som da Terra nas Virgens do Bairro Novo. Uma história que segue viva, pulsante e em constante celebração.
Alexandre Santos
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